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Um coração e uma alma para a Europa Versão para impressão
Quinta, 14 Agosto 2014 15:16

"Um coração e uma alma para a Europa". UEAssim se pode traduzir o livro que Korthals Altes escreveu há mais de uma década “Heart and Soul for Europe” e que é um ensaio sobre a renovação espiritual que se impõe nesta Europa. Com formação económica, seguiu a carreira diplomática até que, em 1986, resignou voluntariamente a ela, quando, como Embaixador neerlandês em Madrid, tomou uma posição pública condenando a corrida aos armamentos. Uma voz no deserto, mas à qual se vai dando cada vez mais razão.

Modelo distorcido de relações
Especialmente nós europeus estamos imersos numa profunda crise, que não é só económica e financeira, mas é sobretudo da ordem do espírito, com relações distorcidas relativamente à pessoa, aos bens e à natureza. Uma crise que desafia as grandes religiões numa sociedade cada vez mais multi-religiosa; um desafio a entrar no âmago das coisas e sobretudo da pessoa humana; um desafio que coloca a pessoa em confronto com as solicitações do “paganismo” que ignora a sua dimensão mais profunda. Por isso o Papa Francisco na exortação apostólica “A alegria do Evangelho” alerta para uma economia da exclusão e da idolatria do dinheiro, que conduz à desigualdade social e potencia a violência. Korthales Altes escreve que, num mundo de trevas criado pelo próprio homem, estamos em presença de três bombas-relógio de grandes dimensões, que podem ter o nome de “aniquilação nuclear”, “desastre ecológico” e “conflito social violento”. São palavras de quem conhece os problemas económicos à escala global e está familiarizado com as realidades internacionais.

Partir da realidade
cp1despedida3Ir às raízes dos problemas e não se ficar nas suas manifestações é o que encontramos nas exortações constantes do Papa, que reconhece que “esta cultura de exclusão é gravíssima”.
Como escrevia há dias  Fr. Bento Domingues no Público ele não fala de forma abstrata. “Convocou todos os seres humanos de boa vontade para que as calamidades ambientais, financeiras e económicas, frutos de vários tipos de corrupção, não sejam uma fatalidade, perante a qual nada há a fazer.”   E ainda: “não olha para a realidade de maneira neutra e asséptica como um sociólogo. Procura o discernimento evangélico que ajude as comunidades cristãs a desenvolver uma capacidade de cuidadosa atenção aos sinais dos tempos.”
Nós experimentamos os efeitos desta sociedade sem alma. Os sonhos de um país europeu, com elevado nível de participação na coisa comum, com acesso às oportunidades crescentes e que encontrou o momento de fulgor na Expo98,  vão-se esvaindo e deixando um amargo de boca, como quando os jovens dizem que este país não tem nada para lhes oferecer, além da liberdade de emigrarem. Depois de tanto neles se ter investido, vão ser disponibilizados de mão beijada noutros países que recolhem os frutos daquilo que não semearam.   Entre eles, com menos  de 25 anos,  36 % estão desempregados. Por isso os movimentos da JOC na Europa, no seu  manifesto para o 1º de Maio de 2014, afirmam que ”queremos construir uma Europa para os homens, mulheres e jovens e não para o dinheiro. Queremos reafirmar que a juventude é um trunfo para a Europa e não um risco”.

Seriedade e compromisso
Olhamos para os políticos que nos governam e cuja missão deveria ser, utilizando as palavras de Paulo VI, “uma das formas mais elevadas da caridade”. Quando o desprezo substitui o respeito é porque provavelmente entrou em casa a corrupção; ou pelo menos porque a missão de tutelar o bem comum é substituída pelos interesses pessoais ou do grupo. Temos o direito de exigir que o bem-comum esteja na primeira linha da sua atenção. Sentimo-nos traídos quando as agendas  pessoais ou do grupo ocupam o primeiro lugar e por isso exigimos que os partidos do arco da governação se entendam, porque têm inteligência para tal e igualmente têm a responsabilidade pelo estado das coisas a que nas últimas décadas, alternadamente, nos conduziram. Os outros partidos, fiéis ao seu ideário, respeitando o que prometeram, mantêm a legitimidade conferida pelo voto. Como cidadãos não podemos contentar-nos com palavras de circunstância quando encobrem inépcia, inércia ou irresponsabilidade. Um mundo melhor é possível.

Valentim Gonçalves, CJP-CIRP