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O sonho que não pode morrer Versão para impressão
Quarta, 24 Dezembro 2014 19:38

pazPouco depois do encontro de 8 de Junho com o Papa Francisco, Mahmoud Abbas e Shimon Peres nos jardins do Vaticano para rezarem pela paz, foi violado o cessar-fogo entre Israel e a Palestina, provocando mortos e feridos numa tragédia que se tornou rotina banal, como o demonstra o atentado da passada terça-feira numa sinagoga de Jerusalém, com seis mortos e vários feridos. É a realidade insinuando que a paz não passa de uma quimera.

Felizes os pacificadores
Is22ANo Sermão da Montanha, porém, Jesus chama bem-aventurados aos construtores da paz. Enquanto houver capacidade para sonhar ainda se pode acreditar no futuro. Assim foram os profetas. Ainda que remando contra a corrente, estavam convencidos de que um dia “as espadas serão transformadas em arados  e as lanças em foices”(Is 2,2). É o sonho dos que vêem a realidade com o olhar de Deus, no momento em que vivem. Recordo a frase de Martin Luther King na memorável marcha pelo emprego e pela liberdade em Agosto de 1963: “Eu tenho um sonho”. Movido por ele e despertando-o no coração da comunidade negra americana (e, por tabela, na comunidade branca) foi conseguindo derrotar o monstro do racismo e da segregação que tão duramente a oprimia.

Sabedoria e conhecimento
O nosso mundo, com recursos e possibilidades nunca imagináveis, avança numa desarmonia escandalosamente crescente. Bento XVI na Encíclica “Caridade na Verdade” escreve: “Cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres alguns grupos gozam de uma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora”(CV 22 ). A mesma visão é denunciada pelo Papa Francisco especialmente na Encíclica “Alegria do Evangelho”. Ele realça não tanto a dimensão organizativa da Igreja, mas sim uma atitude do “sonho missionário” de chegar a todos (EG 31), aquele que lança as pessoas na descoberta de boas soluções para os possíveis processos de “desumanização”, nomeadamente no que se refere a “uma economia da exclusão e da desigualdade social”, a tal “economia que mata”( EG 53).
Nesse esfoço de discernimento em saber encontrar soluções volto a Luther King a refletir sobre a viagem que fizera à Índia, onde a via da resistência não violenta de Gandhi conseguiu “quebrar a espinha do Império Britânico”: “Diante dos problemas e dos caminhos para a solução a Índia parecia um país dividido: uns preconizavam que devia ocidentalizar-se o mais depressa possível; outros pensavam que a ocidentalização iria trazer consigo os males inerentes ao materialismo, à concorrência impiedosa e ao individualismo feroz…” E concluía sonhando: “Seria uma bênção para a democracia se uma das maiores nações do mundo… provasse que é possível proporcionar um bom nível de vida a toda a gente sem cair numa ditadura, seja ela de direita ou de esquerda” (Eu tenho um sonho, Bizâncio, pag.145).

Soluções novas para problema antigo
MLKthe GuardianÉ preciso encontrar soluções para os grandes problemas buscando a sabedoria que equaciona o sentido das vida e não tanto na técnica como instrumento para o realizar. Concedendo a primazia à técnica, feita de conhecimentos, invertemos a ordem das coisas e criamos uma máquina que pode esmagar o seu construtor. Os sábios, como Luther King continuam a apontar caminhos. No dia 20 de Dezembro de 1956, após um ano de boicote aos autocarros em Montgomery, quando o Supremo Tribunal confirmou que as leis que impunham a segregação nos autocarros eram inconstitucionais, ele afirmou: “Vimos crucificar a verdade e enterrar a bondade, mas fomos em frente com a convicção de que a verdade espezinhada  haveria de se levantar do chão. Agora, pelos vistos, a nossa fé deu-nos razão”. A sabedoria nasce da confiança em Deus e na pessoa; a segurança nascida do poder não passa de um equívoco.  Já o Salmo 94 deixa uma interpelação oportuna, também para os nossos dias: “Refleti, ó gente imbecil ! E vós, insensatos, quando ganhareis juízo ?”

 Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
(VV 23.11.2014)