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Forum Social Mundial na Tunísia Versão para impressão
Quarta, 27 Março 2013 23:31

Dignidade dos povos

30 11 2012 11 22 Imagem Folder ForumA Igreja não é indiferente à luta dos povos do norte de África por mais justiça, liberdade e desenvolvimento. O Fórum Social Mundial (FSM) que irá decorrer em Tunes, na Tunísia, de 26 a 30 de Março, terá como tema a dignidade, um assunto que interessa a cristãos comprometidos e que faz parte da doutrina social católica. 

 

 O FSM vai realizar-se pela primeira vez num país árabe, a Tunísia, que foi o berço da “primavera árabe” no início de 2011. E é num ambiente turbulento e em ebulição que vai decorrer este encontro de cariz internacional que, espera acolher milhares de participantes vindos de vários pontos do globo. Estarão presentes também grupos eclesiais empenhados em questões de justiça, paz e desenvolvimento dos povos. A razão da sua presença e envolvimento numa iniciativa deste género tem a ver com a própria agenda social da Igreja, a qual partilha o destino dos povos, as suas conquistas e falhanços, sobretudo dos mais pobres. Os cristãos sentem que a luta dos países do norte de África e do Magrebe por mais liberdade e dignidade também lhes dizem respeito, pois como afirma a Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo actual, «não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu (Igreja) coração».

Expectativas goradas

prim arabeOs protagonistas da “primavera árabe”, esta autêntica revolução que levou ao desmoronamento de quatro ditaduras, foram os jovens que saíram às ruas reclamando mais emprego, liberdade de expressão e progresso. Muitos pagaram com as suas próprias vidas esta ousadia. E parecia que finalmente iríamos assistir a uma abertura dos sistemas políticos que governavam as sociedades árabes. Passados dois anos, constata-se que essa primavera se está a tornar inverno, no sentido em que as expetativas por um futuro melhor e mais risonho estão a ser goradas. O Egipto está a abraços com uma segunda revolução, o novo Presidente assumiu poderes quase ditatoriais e a nova constituição está impregnada da lei islâmica. Na Tunísia, em inícios de Fevereiro foi assassinado o líder da oposição que havia denunciado actos de violência política relacionados com a coligação governamental. Recentemente, o relatório anual dos Repórteres sem Fronteiras denunciava a continuação da falta de liberdade de imprensa no Médio Oriente e no Magrebe: «as transições que começaram não estão necessariamente a conduzir a mais pluralismo», lê-se no documento, que alerta para a fragilidade das liberdades alcançadas.

Um mundo diferente

FSMO FSM de Tunes, que já é considerado o maior aglutinador de movimentos sociais, quererá dar expressão aos grupos de cidadãos e activistas que protagonizaram a “primavera árabe”, querendo servir de plataforma e espaço coordenador desses intervenientes.

Organizado pela primeira vez em 2001, em Porto Alegre, no Brasil, e depois em outros países, o FSM é o principal evento mundial que congrega as mais variadas forças sociais. Atrai uma média de 100 mil pessoas de todo o mundo. Os espaços de diálogo compartilhados no Fórum permitem a reflexão e a discussão sobre a possibilidade de um mundo diferente daquele preconizado pelos defensores da globalização e do neoliberalismo. 

 

Uma vida mais digna

«Os problemas sociais assumem cada vez mais uma dimensão planetária: a paz, a ecologia, a alimentação, a droga, as doenças. Estado algum os poderá enfrentar e resolver sozinho. As gerações actuais tocam com as mãos a necessidade da solidariedade e advertem concretamente a necessidade de superar a cultura individualista. Nota-se sempre mais difusamente a exigência de modelos de desenvolvimento que prevejam não apenas «elevar todos os povos ao nível que hoje gozam somente os países mais ricos, mas de construir no trabalho solidário uma vida mais digna, fazer crescer efectivamente a dignidade e a criatividade de cada pessoa, a sua capacidade de corresponder à própria vocação e, portanto, ao apelo de Deus». (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 373)

Pe. António Carlos Ferreira, CJP-CIRP
(publicado no VV 24.03.2013)