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O bezerro de ouro Versão para impressão
Sábado, 06 Julho 2013 00:47

bezerro-de-ouroNo episódio do bezerro de ouro relatado no capitulo 32 do Êxodo revê-se a pessoa humana, que tem dificuldade em sintonizar o seu tempo com o tempo de Deus e, a partir daí, procura uma alternativa para o sentido da sua vida: se Deus não se manifesta a nós, vamos nós manifestá-lo, à nossa medida. Assim aparece o ídolo “obra das mãos dos homens” (Sl 115)

Cultura do descartável
Sempre a doutrina da Igreja afirmou a primazia de Deus  e a sua incompatibilidade com qualquer tipo de ídolo criado em sua substituição. No passado dia 16 de Maio, no discurso aos Embaixadores, o Papa disse: “Criámos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro encontrou uma nova e cruel versão na idolatria do dinheiro e na ditadura de uma economia realmente sem fisionomia nem finalidade humanas”. Um sistema económico e financeiro sem ética acaba por reduzir o homem a uma única das suas exigências que é o consumo. E desse consumo nasce o que ele apelida de cultura do descartável e do desperdício: “Aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de finanças carentes de ética: assim homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo; é a cultura do descartável”. Não reconhecer na pessoa humana a “imagem e semelhança de Deus” significa não reconhecer Deus e colocar em seu lugar um ídolo que secundariza a pessoa e a transforma em instrumento ao serviço do seu egoísmo.

Governantes  entendam-se
MandelaPerante a situação asfixiante em que se encontra tanta gente, cada vez mais apertada e desesperada, é escandaloso ver a insensibilidade com que se tratam as pessoas, como que se fossem meros números de estatística ou as culpadas da situação e as responsáveis por taparem o buraco aberto pela má gestão de outros. Com o desemprego a subir e os cada vez mais baixos apoios sociais, torna-se ofensivo contemplar os representantes políticos, não a procurarem uma solução possível - e a isso se chama o bem-comum - mas digladiando-se pela conquista do poder.  Eles que estão seguros, falam de quem não tem segurança. Estes, ainda que ninguém lhes ligue, vêem-se forçados a serem criativas para sobreviver. Nestes dias, após a demolição de um modesto equipamento social na comunidade, constatei que, em poucos minutos,  tudo o que era aproveitável foi  recolhido: fios, ferro dentro do betão, peças metálicas; recolhido por quem não tem com quem contar a não ser com o seu esforço. Também as hortas e a criação das tradicionais aves e animais começam a invadir terrenos abandonados, daí tirando parte considerável do sustento famíliar. É verdade que no campo da economia e das finanças não há milagres. O único milagre será aquele que cada um e todos em conjunto conseguirem realizar no sentido de racionalizarem o consumo, evitando o desperdício, rentabilizarem o que têm e animarem-se mutuamente na construção de uma forma de viver onde cada um encontre espaço para ser feliz. A cultura do bem estar e o fascínio do provisório, como há dias referia o Papa, são uma manifestação do ídolo que ganhou muitos adeptos no tempo das vacas gordas, mas que agora demonstra o vazio que leva consigo.

Os ímpios têm seus dias contados (Sl 37)
G8 2Reuniram-se nesta semana na Irlanda do Norte os representantes do G8, o clube dos países mais industrializados. Se a riqueza os identifica, também essa dá o mote para as suas decisões. São os sacerdotes do bezerro de ouro que, obedientes aos ditames da finança, oferecem no altar dos seus programas o sacrifício das vidas esmagadas de quem não tem poder. Bom seria que reconhecessem o valor de cada pessoa e de cada povo, atuassem em conformidade e, em contrapartida, encontrassem dirigentes comprometidos e cidadãos animados na construção de uma vida mais justa e feliz. Mas quando vemos que eles é que ditam as regras económicas a que todos têm de obedecer, quando eles decidem quais a guerras oportunas e se tornam os principais fornecedores de armas, quando o apoio ao desenvolvimento é mais do que residual nos seus orçamentos,  podemos ficar confiantes ou apenas nos resignar em ser pedintes ?

 

Valentim Gonçalves, CJP-CIP
(publicado no VV a 23.06.2013)