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Viragem histórica e muitas interpelações Versão para impressão
Quinta, 15 Maio 2014 17:42

futuroComo escreve a ‘Evangelii Gaudium’, “a Humanidade vive neste momento uma viragem histórica, que podemos constatar nos progressos que se verificam em vários campos. São louváveis os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas… Todavia não podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia-a-dia precariamente, com funestas consequências” (EG 52).

A luta entre David e Golias
Desemprego1No passado fim-de-semana, a JOC (Juventude Operária Católica) promoveu um encontro, na Gafanha da Nazaré, tendo como pano de fundo a necessidade do discernimento evangélico perante a realidade presente, com o slogan: “Andas à deriva? Agarra o leme e faz-te à vida”. Destinava-se a jovens entre os 13 e os 30 anos, numa altura em que “tantos jovens se sentem sem perspetivas, de mãos e pés atados”.
Há que realçar a sua oportunidade não só pela relevância da temática, como também pelo significado do esforço desenvolvido por pessoas que teimam em vencer uma certa alergia em aproximar-se e lidar com uma questão ensombrada por “papões” do passado e do presente que continuam a querer convencer-nos de que questionar as relações de trabalho continua a ser uma incursão perigosa no campo da política. Apresentaram uma campanha nacional de combate ao desemprego pretendendo levar a cabo ações por todo o país com vista a encontrar trabalho especialmente para os jovens. Pode parecer uma luta entre David e Golias, de tal modo a força da finança e da economia comandam o mundo; mas pode ser também a pequenina pedra que ajuda a mudança que constitui a “alegria que se vive no meio das pequenas coisas da vida quotidiana, como resposta ao amoroso convite de Deus nosso Pai” (EG 4).

Só temos este tempo para viver
revindustr1Pensando na viragem histórica que nos envolve, recordamos a “revolução industrial” surgida no séc. XVIII, fruto das novas ideias, do desenvolvimento das ciências e da sua aplicação prática que levou a coisas como a invenção da máquina a vapor e à revolução que essa provocou na indústria mineira e siderúrgica, nos transportes, na produção em massa, nas migrações internas e na criação de um ritmo novo, artificial, ao qual o ritmo normal teve que se ir adaptando. O progresso era inelutável, com as suas coisas boas e más. Como escreveu o pensador político francês Alexis de Tocqueville: “A civilização fez milagres, mas o homem civilizado regressou quase ao estado de selvagem”. Referia-se ao desemprego, à miséria social, às degradantes condições dos bairros populares e às doenças que por lá entravam, à exploração sem escrúpulos dos homens, das mulheres e de crianças num trabalho sem horários e sem condições, mal alimentados e com remunerações de miséria, sem uma autoridade que pudesse ou quisesse introduzir algo de ordem e humanidade nesse caos. Como que nos revemos no mesmo filme. Ainda nestes dias se pôde ouvir na Assembleia da República a denúncia, não só da situação penalizante imposta à generalidade dos cidadãos, mas também de alguns aspetos próprias de uma sociedade que retrocede em termos civilizacionais, como a existência de trabalho escravo, a retenção de documentos, a ausência de horários, a exploração descarada do trabalhador que tudo aceita porque quer sobreviver. A Equipa Executiva Nacional da LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos) e a Comissão Permanente da HOAC (Hermandad Obrera de Acción Católica de España) reunidas em Lisboa nos dias 3 a 5 de Fevereiro em comunicado afirmam: “Quem nos governa não pensa a sociedade baseada no ser humano, mas nas forças que têm poder e interesse, que tiram o proveito financeiro das pessoas e das sociedades, fazendo com que os ricos sejam mais ricos e os pobres sejam mais e mais pobres”. E logo a seguir cita a Carta de S. Tiago 5,4: “O salário dos trabalhadores, que ceifaram os vossos campos, foi defraudado por vós e clama". É preciso clamar por um mundo humano.

P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
(VV 23/02/2014)