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Onde está a "química" da guerra ? Versão para impressão
Sábado, 05 Outubro 2013 21:43

SiriaO ataque com armas químicas nos subúrbios de Damasco na manhã do dia 21 de Agosto veio empurrar para uma nova fase o conflito que há mais de dois anos vem destruindo o país. Que o ataque foi executado  não há dúvidas; já mais complicado é identificar o responsável pela operação. O mundo mergulhou num misto de perturbação e de expetativa entre o desejo da paz e o impulso da guerra.

Reações a partir da fé
No dia 29 de Agosto a Pax Christi Internacional manifestou em comunicado a sua profunda preocupação com os acontecimentos na Síria e lançou um apelo ao diálogo, condenou o uso das armas químicas e insistiu no reconhecimento da responsabilidade do Conselho de Segurança da ONU para resolver a situação, apontando a diplomacia e a negociação. Apelou ainda aos lideres religiosos para que usem a sua autoridade moral para travar a guerra.
O Papa Francisco no dia 1 de Setembro convidou os fieis de todas as igrejas e religiões, os não crentes e os homens e mulheres de boa vontade a praticarem o jejum no dia 7 de Setembro em favor da Síria. Um apelo que foi um grito: ”Um mundo de paz ! Nunca siria4mais a guerra ! O uso da violência nunca conduz à paz. A guerra chama mais guerra, a violência chama mais violência”.
Também o Patriarca de Lisboa, numa vigília a que presidiu na Sé, apelou à fraternidade universal e afirmou que a paz é possível na Síria e no mundo e que “um dia de guerra já seria tempo demais”, lembrando a herança que nos foi deixada por lideres históricos como Gandhi, Mandela ou Luther King com a mensagem de  que a paz é possível e o recurso às armas é sinal de fraqueza.

Tragédia e mentira
A tragédia dos ataques com armas químicas poderá ser encarada como uma artimanha construída sobre a mentira e que nem sequer constitui novidade. É óbvio que os animais irracionais reagem por instinto; o ser humano, também condicionado pelo instinto, distingue-se daqueles porque sabe o que quer e pode querer o que entendeu. No caso presente temos que admitir a possibilidade e a obrigação de questionar as razões apresentadas para o ataque que provocou 1.300 mortos, segundo uns, ou apenas algumas centenas, segundo outros, todos a juntar aos mais de 100.000 nos últimos dois anos de conflito; a imparcialidade não existe; existem versões.
siria3Quando Obama declara que o emprego de armas químicas marcaria a “linha vermelha” para uma intervenção militar na Síria, a memória faz-nos voltar à não longínqua e infeliz decisão dos Estados Unidas e seus parceiros de atacar o regime de Saddam Hussein em nome de arsenais químicos que ninguém conseguiu encontrar; o que temos visto é sangue, ódio e destruição no Iraque e instabilidade na região. O especialista em relações internacionais professor Luís Bandeira fala numa “razão propagandística” do presidente Obama para dar continuidade à tradição de um país que com uma história de 235 anos esteve 214 anos em guerra. Idêntico expediente foi utilizado por Hitler arquitetando um ataque com tropas da Gestapo fardadas de militares polacos contra um posto militar na Alemanha. Igual artimanha utilizaram os americanos no Vietnam, com o ataque a um seu navio para conseguirem autorização para bombardear Hanoi. A mesma esperteza subjaz na referida decisão de George Bush de atacar o Iraque.

Contra a guerra uma cultura da paz
Não há guerras inocentes. O negócio das armas, os interesses económicos e geopolíticos, os interesses hegemónicos dos EUA e de Israel, o conflito com o Irão, as dissensões entre os Estados Árabes, as questões religiosas entretecendo tudo isto, poderão ajudar-nos a ver a loucura da guerra baseada na “sabedoria” do egoísmo. Por isso, como diz Luís Bandeira, o que se passa na Síria é uma autêntica tragédia grega: “os atores sabem o que vai acontecer, todos dizem que querem evitá-lo, mas cada um faz exatamente o que é necessário para que ele aconteça”.
Jesus falou de uma paz diferente, não como essa  que o “mundo” oferece. No seu seguimento o Papa afirma: “Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que deve ser promovido e tutelado”.

Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
(pubicado no VV 30/08/2013