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No dia em que Portugal recebeu o Tridente Versão para impressão
Terça, 03 Agosto 2010 11:27

Estamos mais seguros ou estamos a afundar-nos ?20100803_Tridente

Foi com alguma solenidade que deu entrada no estuário do Tejo o primeiro dos submarinos que vêm equipar e modernizar a nossa Marinha. A pompa e a circunstância estão reservadas para o dia 8 do mês que vem.

Também eu me associaria a essa pompa, não fosse reconhecer que sou leigo nessas matérias e, ao mesmo tempo ficar perplexo perante algumas questões que a mim mesmo coloco perante dois factores a ter em conta: o montante dos custos de cada aparelho e o historial confuso que acompanha o contrato de compra e venda: orçamentado em 769 milhões de euros, acabou por nos custar mil milhões. Uma derrapagem que não tem nada de insignificante, tanto mais que esses valores têm que ser confrontados com as nossas dimensões de país pequeno e financeiramente frágil. Por isso aí está um processo em investigação e outro em instrução, tendo por base uma burla ao Estado de 34 milhões.

Estamos melhor equipados e isso é bom e indispensável a um país que tem uma zona marítima de 1,7 milhões de Km2 e que só pode ser devidamente aproveitada se for segura.

20100803_sobre-a-pobrezaMas o investimento mais directo na subida do nível de qualidade de vida, de saúde, de educação terá recebido uma atenção adequada ? Como é possível continuar a ver crianças que têm de ficar em casa por falta de amas e de creches e por incapacidade financeira das famílias ? Provavelmente estão colocadas numa pista donde será muito difícil levantar voos mais altos. Como é possível ter um sistema de saúde que, apesar de muitos progressos conseguidos, continua a privilegiar mais o interesse de grupos privados e de hegemonias corporativas, deixando ficar na valeta quem economicamente não conta ? Como é que se pode ficar feliz ao ver um aparelho tão caro e tão sofisticado, entregue a um punhado de gente de elite e que, para isso acontecer, foi preciso cortar em investimentos directos na melhoria de condições de vida das pessoas, como é o caso da habitação, que continua altamente deficitária, deixando de Portugal a imagem de miséria e subdesenvolvimento como naquelas bolsas de barracas por vezes em frente de urbanizações de luxo ?

Junto a esta reflexão uma outra do Presidente da AMI, Dr. Fernando Nobre, que há dez anos, perante 2 acidentes graves - o naufrágio do submarino russo Kursk no mar Barents e a queda do Concorde logo após a sua decolagem em Paris. - que provocaram duas centenas de mortos e que tiveram um impacto forte e continuado em todos os noticiários, curiosamente interessados em contraposição com o silêncio e a indiferença com que brindamos quotidianamente as mortes, igualmente atrozes, dos milhões, também eles nossos irmãos, que em África, na Ásia e na América Latina morrem todos os anos de fome, de malária, etc. Escreve ele:

"A verdade é que a chacina-genocídio da malária corresponde por ano, em vidas humanas, à queda de uns vinte mil Concordes, e a chacina-genocídio da fome ao afundamento de uns trinta a quarenta mil submarinos.
E quanto tempo de antena é reservado a estes assuntos de interesse vital para a Humanidade ? Não interessa ? Porquê ? Porque se trata "tão só e apenas " de pretos, amarelos ou vermelhos ? Ou será porque, com a nossa indiferença e a nossa hipócrita concordância, permitimos que sejam chacinados, voluntária ou involuntariamente, pelos nossos "amigos" corruptos, incompetentes e assassinos que (des)governam muitos dos países onde a matança soma e segue ? Certo é que poderíamos e deveríamos ser todos acusados de não-assistência a povos em risco de genocídio."

(V.G.-CJPCIRP)