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Ladrões do futuro e o livro da hospitalidade Versão para impressão
Segunda, 01 Junho 2009 00:00

A CIMI (Comissão de Justiça e Paz da Conferência dos Institutos Missionários na Itália) enviou uma carta aberta a todos os Italianos que queiram olhar serenamente o futuro. Apresentamos aqui a sua tradução.

Não queremos estar entre os cúmplices deste roubo! Não aceitamos, e jamais aceitaremos, que este país continue a roubar vidas e futuro a milhares de migrantes.
Nós, missionários, vimos o mundo a partir da outra margem do Mediterrâneo e foi-nos dado ouvir e tocar esperanças e misérias. Destas últimas, as causas estão frequentemente localizadas nesta margem do mar.

A exploração dos recursos, a produção e venda de armas, a iniquidade do sistema económico e os interesses políticos dos poderosos, conspiram para criar as condições do empobrecimento dos povos.
Por isto, estaríamos atraiçoando-nos se deixássemos passar em silêncio tudo o que está a suceder no nosso país.
Em cartas anteriores tivemos a oportunidade de denunciar as procedências democráticas e os mecanismos de exclusão que ferem os rostos mais vulneráveis da nossa sociedade. Entre estes têm, para nós, particular relevância os migrantes, especialmente aqueles de origem africana.
Denunciávamos o ‘vírus’ que infectou fortemente o olhar e o espírito de parcelas significativas da nossa sociedade italiana. Isto transformou a complexidade do fenómeno migratório, constituído por pessoas que pedem para construir um outro futuro. Repetimos que o processo migratório não pode e não deve ser contrabandeado como problema de ordem pública e, consequentemente, inserido na ambiguidade do discurso enganador da segurança.
Consideramos que é um grave crime roubar a dignidade e a história de quem, como os migrantes, encarnam a esperança num futuro diferente para todos. Eles poderão contar sempre connosco, e seja como for, estaremos da parte deles para escrever com eles uma história para todos.
Cada rosto que encontramos é também a narração do nosso caminho como indivíduos e como sociedade. Na verdade, os migrantes narram a nosso respeito e sobre o nosso mundo! O único livro que realmente devemos escrever é aquele da hospitalidade recebida gratuitamente e agora com o dever de a dar de mãos abertas.
A verdadeira carta é aquela que as pessoas escreveram sobre nós, missionários migrantes em África e noutros lugares. Fomos ‘escritos’ pelos rostos e pelas histórias que aqui, no nosso meio, há tempos vêm sendo frequentemente rejeitadas.

… Tu não sabes nada de mim.
Nem de onde venho
Nem porquê me encontro na tua pátria…

(Nemat Mirzazah, poeta iraniano exilado)

Comissão de Justiça e Paz da Conferência dos Institutos Missionários na Itália