Os Magos e os Herodes Versão para impressão
Quarta, 06 Janeiro 2010 16:24
Encerramos as celebrações natalícias com esta imagem: uns personagens importantes, magos vindos do Oriente, que não pertenciam ao chamado povo escolhido, procuram um Menino seguindo sinais, reconhecem-nO, adoram-nO e, a partir desse momento, a sua vida segue por um outro caminho.

A narrativa evangélica é de uma beleza e de uma profundidade extraordinárias: Aquela criança transforma a noite em luz e atrai os povos vindos de longe, que são trazidos nos braços como filhos e filhas queridos. A manifestação da universalidade da salvação, da catolicidade da Igreja está aí presente. Ainda que Herodes, os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo não tenham encontrado disponibilidade na mente e no coração para O reconhecerem e acolherem.

Em época natalícia, repete-se a cena nesta Europa culta e rica de coisas. Recorde-se a ideia luminosa do autarca de Coccaglio, no norte da Itália, ao engendrar a operação chamada "Bianco Natale" (Natal Branco, White Christmas) , em curso no pequeno centro da província bresciana, na qual as polícias vão a casa dos imigrantes para ver se a autorização de residência terá caducado, o que consequentemente provocará o cancelamento da mesma. Trata-se de uma operação de "limpeza", o que na ideia dos seus promotores tem por objectivo restituir aos habitantes um ambiente digno do "seu" Natal, um "Natal Branco"... sem imigrantes.

Acusado de não ter entendido a mensagem cristã, o mentor da campanha Franco Claretti, tentou defender-se recordando o seu recente encontro com Bento XVI na sua visita a Brescia. Em declarações à MISNA, o missionário xaveriano Marcello Storgato afirmou: "Não basta vangloriar-se de ter estado com o Papa; alguma gente que enche a boca com as "raízes cristãs" deveria voltar ao catecismo, onde aprenderia que Jesus de Nazaré não era um europeu e que a sua mensagem se destinava a todo o mundo, e não só aos "brancos". E continuava: "Sentimo-nos profundamente ofendidos por este género de comportamentos; como missionários levamos a Palavra universal do Evangelho a todas as pessoas, mas o que havemos de responder àqueles que se sentem vexados exactamente na festa mais importante, a vinda de Cristo, o Salvador para todos os povos ?" E continua afirmando que é um vexame contra uma comunidade de imigrantes integrada no trabalho e na sociedade, sem problemas de criminalidade e cujo "pecado" consiste apenas em ter aumentado de número nos últimos anos, trazendo uma preciosa mão de obra para os trabalhos que os italianos não querem mais fazer.

É caso para dizer: as semelhanças de ontem com hoje, de lá e de aqui, são meras coincidências... ou talvez mais do que isso.

VG-CJP