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Othunko Versão para impressão
Sexta, 01 Janeiro 2010 16:30

A 17 de Janeiro celebrar-se-á o dia do Migrante e Refugiado. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para este dia, realça a atenção para com os menores: "... se reserve a justa atenção aos migrantes menores, necessitados de um ambiente social que permita e favoreça o seu desenvolvimento físico, cultural, espiritual, moral."[i] A família seria o lugar ideal para atingir estes objectivos. Mas quando esta por razões económicas, politicas, religiosas ou sociais, não pode proporcionar as mínimas condições para sustentar os seus filhos, o que podemos esperar destas pessoas?

No mundo há crianças e jovens que não chegam a conhecer ou a ter uma família, porque esta foi dizimada pela guerra, violência, pobreza ou enfermidade. Em 2008, cerca de 42 milhões de pessoas fugiram das suas casas devido a conflitos e perseguições; o 44% dos refugiados e necessitados de asilo são crianças e jovens menores de 18 anos, assim declarou o Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados.[ii]

Seis milhões de crianças no mundo morrem de fome por ano: uma a cada cinco segundos, segundo declarações do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon.[iii] Já este ano, no México, os menores emigrantes ilegais, que procuravam reunir-se com os seus familiares nos Estados Unidos e Canadá, constituíram 8% dos interceptados pela polícia.

A pessoa ama a vida mesmo sendo dura, fugindo de situações de angústia e morte, porque sobreviver é uma reacção normal da condição humana. Em tempos de crise, é normal que cada um defenda o que é seu. Porém, como fazê-lo olhando os outros, aqueles que sofrem ainda mais? Como dar o passo à generosidade e à solidariedade para viver os ensinamentos de Cristo. "O que tem duas túnicas dê uma..."? (cf. Lc 3, 10-18)

O egoísmo daqueles que mais têm faz com que a cada dia se façam leis racistas, barreiras de segurança, muros da vergonha. Porém, não são felizes nem estão mais seguros, uma vez que as suas possessões são, muitas vezes, construídas sobre o sofrimento daqueles a quem só olham como escalões para ascender nas falsas pirâmides da riqueza.

As injustiças são mais notórias neste tempo Natalício. Os migrantes e refugiados tentam encontrar um lugar no mundo, fugindo do horror da guerra e do genocídio, praticados com a mais vil ignominia nos seus países, com o intuito de ter uma vida mais humana e mais digna. Uma vida de paz, sonhada e esperada desde a infância.

Quando comento estes temas, lembro com afecto, a Othunko e a sua família, uma menina de apenas 10 anos, cujo nome em macua, a sua língua materna (Moçambique), significa Misericórdia.

Filha de um alcoólico e de uma mulher doente tem duas irmãs, as quais cresceram e foram por outros caminhos e dois irmãos mais pequenos, que protege e ampara. O seu coração bondoso permite-lhe, com os seus dez anos, deter a responsabilidade do seu lar.

Othunko tinha um sonho: estudar para ajudar a sua família. Mas os seus pais não permitiam que estudasse, devendo apenas ocupar-se de outros trabalhos: cuidar da casa, buscar lenha, carregar agua, cozinhar. Sabiamente, ela planificou as suas actividades para fazer as duas coisas, contando com o apoio moral e económico das missionárias.

Uma vida sacrificada, cheia de privações e obrigações. Propusemos-lhe de entrar no internato da missão, onde melhoraria a sua alimentação e os seus estudos. Othunko reflectiu sobre a proposta e respondeu: "E quem cuidará dos meus irmãozinhos e ajudará os meus pais?"

Não entrou no internato, mas estudou com afinco, não aligeirou a carga pesada que colocaram nos seus frágeis ombros, assumindo tudo com responsabilidade, amor e esperança. Os seus sonhos continuam crescendo na base de empenho e perseverança.

Há milhares de meninas no mundo como Othunko, sonhando com uma realidade normal, simples e humana. Nelas deveríamos vislumbrar o pequeno Jesus, inocente e peregrino que foge da maldade de Herodes.

Tantos casos como estes ajudam-me a compreender os desejos de tantas pessoas que arriscam o pouco que têm para procurar melhorar a sua situação em outros mundos.

Elizabeth Carrillo, Missionária Comboniana
Artigo publicado na Voz da Verdade do dia 27 de Dezembro, 2009



[i] Mensagem do Santo Padre pelo dia mundial do Migrante e do Refugiado (17 de Janeiro 2010)

[ii] Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados (ACNUPR) - A agencia da ONU para os refugiados:

- Preocupação do ACNUR por crianças em fluxos migratórios mistos no México
- Angelina Jolie grava mensagem em apoio ao Dia Mundial do Refugiado

[iii] Actualidad. "Otra Cumbre de la FAO sin compromisos". Mundo Negro (Madrid), diciembre 2009, p. 10.