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Políticos franceses condenados por tráfico de armas para Angola Versão para impressão
Terça, 10 Novembro 2009 22:32

A justiça francesa condenou hoje (27/10/2009) personalidades do mundo da política e dos negócios por envolvimento no tráfico de armas para Angola, e um deles, Pierre Falcone, foi preso apesar de possuir imunidade diplomática como representante de Luanda na UNESCO.

No total foram julgadas 42 pessoas, entre empresários, diplomatas, um antigo ministro e um filho de um ex-Presidente da República, envolvidos no comércio de armas, provenientes do antigo bloco soviético para Angola, no período compreendido entre 1993 e 1998.

Além de Pierre Falcone foram também condenados o antigo ministro do Interior francês Charles Pasqua e Jean-Christophe Mitterrand, filho do antigo Presidente socialista.

O empresário israelita de origem russa Arcadi Gaydamak, actualmente refugiado na Rússia, condenado à semelhança de Falcone a seis anos de prisão efectiva, foi julgado à revelia.

A justiça francesa considerou provado que os dois homens venderam armas a Angola armas sem autorização prévia do Estado francês.

O comércio de armas alegado pelo tribunal ascendeu a 790 milhões de dólares (626 milhões de euros).

Cerca de 30 cidadãos angolanos chegaram a ser referenciados no processo de instrução para o julgamento, mas nenhum compareceu perante o tribunal correccional de Paris.

Entre as celebridades do mundo político ou dos negócios que se sentaram na bancada dos acusados e foram hoje condenados figuram o romancista Paul-Loup Sulitzer, e Jean-Charles Marchiani, antigo presidente de câmara e próximo de Pasqua.

Jacques Attali, actualmente consultor e que desempenhou as funções de conselheiro do ex-Presidente François Mitterrand, foi ilibado pelo tribunal das acusações.

Jornal de Notícias - 27/10/2009

 

Os factos vão-nos desvendando razões mais profundas que explicam certas políticas de imigração, bem como nos dão a entender que os problemas só encontram solução quando tratados nas suas causas e não apenas em alguns dos sintomas.

Veja-se o que se passou com Charles Pasqua, Ministro do Interior desde Março de 1993 até Maio de 1995: Como dizia o Bispo de Evreux, que profeticamente desmascarou a sua política xenófoba , "M. Pasqua anda com pezinhos de lã. Empoleirado na sua nuvem, o Ministro do Interior tem carta branca, goza de uma liberdade de acção pouco comum, tanto em relação à classe política como à população. Ele saca benefícios de uma demissão colectiva ou, pior ainda, de uma cumplicidade amedrontada. Onde os outros se contentam com discutir, ele actua. Pasqua desliza nas fissuras da xenofobia e do racismo e envolve-se a colmatar as brechas, todas as brechas." (J. Gaillot, Coup de gueuele contre l'exclusion, p. 22).

Perseguia os estrangeiros em França, incluindo os angolanos, enquanto que em Angola ia alimentando a indústria da morte negociando com os senhores da guerra que infernizavam a vida aos seus concidadãos.

Parabéns, justiça de França, que soube fazer jus ao seu título de "pátria dos Direitos do Homem" e não se tornou cúmplice dos crimes dos poderosos.

Desgraçados aqueles que sob a capa de bons pensadores e sábios gestores, atraiçoam a sua missão de serviço.

Desgraçados aqueles que, sendo chamados à justiça, não compareceram porque ainda estão seguros pela lei da selva, pela evidência da força, pela prática da corrupção, mantendo o seu país bem longe do espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

A dificuldade de lidar com os imigrantes também entre nós se começou a sentir a partir dos anos 90.

O espírito lúcido e generoso do Bispo Gaillot e de muitos que com ele partilhavam essa visão "católica-universal" também entre nós inspirou aqueles que fizeram força contra a tendência restritiva nas políticas de imigração.