Titi, sobrevivente do Mediterrâneo Versão para impressão
Terça, 12 Janeiro 2010 19:29

Do dia dois ao dia quatro de Janeiro de 2010, esteve na comunidade das Irmãs Missionárias Combonianas de Palermo, Itália, a jovem Timinit, 24 anos, Eritreia, uma dos cinco sobreviventes da tragédia no mar mediterrâneo no mes de Agosto de 2009, onde mais de 70 imigrantes eritreus perderam a vida.

Segundo, Titi, como gosta de ser chamada, viajou 22 dias desde Líbia a Itália, num barco sem condições mínimas para viver. Passaram fome, sede...sobreviveram por milagre! Titi teve de ser hospitalizada quando chegou a Lampedosa (ilha italiana) devido às suas condições, com um alto grau de desnutrição. Depois de recuperada foi acolhida numa família (Tony e Doroteia) Leigos Combonianos, onde hoje é tratada como uma rainha.

20100112_titi_2Titi, uma bonita jovem, tímida e inteligente, quando alguém lhe faz uma pergunta com dados e nomes precisos, tenta disfarçar e se afasta da roda das conversas. Na sua memória ainda o sofrimento atroz daquele mes de Agosto é duro de suportar. Titi e seus conterrâneos fugiram de Eritreia de um regime ditador, atravessaram o deserto do Sudão fronteira com Fezzan na Líbia, de Tripoli capital da Líbia chegaram a Itália por via marítima. Tiveram que pagar 1000 dólares cada pessoa para os atravessadores.

20100112_titi_3Actualmente está a aprender a língua italiana e se refaz do trauma, entretanto cria uma rede de amigos que adquire como a sua nova família.

Infelizmente o drama dos imigrantes desaparecidos nas águas do mediterrâneo continua acontecendo. Segundo a agência de notícias MISNA, na última semana de Dezembro de 2009 desapareceram dezenas de vidas de Imigrantes, sobretudo provenientes de África subsariana. O governo italiano está cada vez mais rígido na vigilância das "fronteiras" marítimas, desviando muitos dos imigrantes, para a ilha de Malta, pela polícia marítima italiana.

Esperamos que o ano de 2010 seja um ano onde os direitos humanos dos imigrantes sejam respeitados, principalmente das vidas indefesas e inocentes, de centenas de africanos, que forçados por guerras intermináveis deixam o calor de suas famílias, fogem à morte iminente da guerra e, muitos deles/as morrem "silenciosamente" nas águas profundas do mediterrâneo, morrendo com eles/as os seus sonhos de liberdade.

Lurdes Ramos, de Palermo, Itália