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Uma só família humana Versão para impressão
Domingo, 23 Janeiro 2011 00:21

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migrMais uma vez a Igreja manifesta a solicitude para com os Migrantes, promovendo em Fátima, nos dias, 14, 15 e 16 de Janeiro, o XI Encontro de Formação destinado a dar consistência ao trabalho dos agentes pastorais dedicados a esta causa.

As migrações são um fenómeno constante na história da humanidade, mas sempre em mutação e por isso, exigindo "adequar as suas respostas às transformações da mobilidade humana em Portugal, permanecendo fieis à atenção prioritária a cada pessoa e à defesa da sua dignidade, sempre mais importante do que questões económicas."(Texto conclusivo).

Sempre em mudança
Esta dinâmica da mudança é perceptível a quem observar a realidade portuguesa nas últimas décadas: o êxodo dos anos 60, os retornados de 70, os imigrantes de 80 e 90 que foram criando um novo perfil de um país de "imigração"; mas já ultrapassada a primeira década do milénio começamos a rever-nos como país de "emigração". A propósito escrevia há dias no Público a economista Cristina Semblana sobre os "novos emigrantes, pomposamente designados cidadãos europeus, que vivem muitas vezes em situações de grande precariedade e em zonas de não-direito".

Portugal continua a ter cada vez mais um papel de fornecedor de mão de obra barata aos países do centro. A cidadania europeia continua a duas velocidades, porque fixando-se em primeiro lugar na dimensão económica e assim relegando o cidadão para a condição de matéria descartável, criando um mundo cada vez mais desumanizado, um mundo do salve-se quem puder, desperdiçando as forças interiores que davam sentido ao viver das pessoas. Diante disto há que não se resignar perante uma proposta tão pobre e aprender com os erros do passado.

Levar esperança
iguaisA presença da Igreja que caminha na história no meio de todos os outros povos tem de ser fonte de confiança e esperança. A nós compete-nos desenvolver um sentido crítico e interventor, sem esquecer que no meio deste fenómeno temos uma missão que não podemos subestimar: aproveitar a dimensão positiva das migrações como espaço para a criação de laços de humanização, passando por um encontro enriquecedor no âmbito da cultura, da economia, da criação de "uma só família humana, uma só família de irmãos e irmãs em sociedades que se tornam cada vez mais multi-étnicas e intra-culturais" (Mensagem do Papa para a Jornada Mundial do Migrante 2011). Também nesse aspecto temos que reconhecer o que na Igreja foi feito nesse encontro com os outros e que em grande parte contribuiu para a imagem positiva que o país conseguiu no contexto da União Europeia e mesmo no contexto internacional, como consta do Relatório 2010 da OIM, referindo-se a agências de renome ao tratarem da atitude dos cidadãos relativamente aos imigrantes, às boas práticas nas políticas de imigração e à prestação de melhores serviços aos mesmos. Se algo se atingiu, muito mais se poderia ter conseguido. Importa continuar; não podemos parar na contemplação de um troféu, sabendo que temos outros que ainda estamos longe de conquistar e que já o deveríamos ter conseguido: celebré o caso de ultrapassar a nossa periferização no quadro europeu, o não termos elevado o nível da nossa mão de obra que continua pouco qualificada, de não sairmos de uma formação profissional que não catapulta os formandos para o emprego, de termos escolas e empresas que não articulam as suas funções, de termos desigualdades na repartição dos rendimentos que nos vão aproximando de um terceiro-mundismo confrangedor. Por isso não é de estranhar que, verificando uma diminuição da pressão dos imigrantes e um aumento da pressão dos emigrantes que continuam a rumar em direcção à França, Suiça, Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo e também para outros continentes, nos sintamos a regressar aos cenários retratados no filme de Christian de Chalonge "O salto", diferentes apenas no tempo e nas circunstâncias.
Isto coloca-nos um duplo desafio: não perder, mas antes intensificar a nossa capacidade de acolhimento dos que ainda nos buscam e desenvolver um sentido mais crítico e participativo na criação de uma sociedade mais organizada, mais racional, mais criadora de riqueza de forma que possa ser mais feliz porque mais rica e mais justa, mas ao mesmo tempo mais acolhedora e criadora de uma só família de irmãos e irmãs.

P. Valentim Gonçalves, SVD
(publicado na VV 23.01.2011)