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Lágrimas do Darfur Versão para impressão
Quarta, 18 Fevereiro 2009 23:00
2009-02-19_Lagrimas_DarfurÉ uma tarefa cativante entrar na leitura deste livro.

- É um mergulho numa cultura bem diferente da nossa, que nos mostra a vida humana como muito mais do que aquilo em que nós eventualmente a queiramos encerrar; que a alegria de viver é feita de pequeninas coisas que acabam por dar-lhe uma dimensão quase infinita; que a nossa visão europeia e ocidental, por mais escudada que esteja no conhecimento e na técnica, não tem o exclusivo da sabedoria nem do desenvolvimento; que os afectos, a solidariedade e  a compreensão vividos numa família constituem uma riqueza profunda, contrastando com o empobrecimento em que se caiu para estas bandas; é um entrar numa cultura em que a comunidade é percepcionada como algo que protege, dá sentido à vida, mas  também  responsabiliza. Tudo isso nos faz pensar e nos ensina.

- É um aperceber-se de como se constrói um projecto de totalitarismo e domínio, de racismo e discriminação, que qual bola de neve se torna cada vez maior e mais incontrolável, onde se perde  o sentido da dignidade, do respeito, numa palavra, o sentido da pessoa.

- É ainda um mergulho na realidade do que há de mais belo e mais nobre na pessoa humana, assim como naquilo que é o seu contrário. E creio ser esta a perspectiva que motivou a feitura da obra. As duas dimensões dão-nos uma visão mais profunda da realidade. O relato em primeira pessoa do conflito que injustamente envolve o seu povo, a sua família, a sua pessoa, constitui uma história empolgante, ainda que feita de dor, desespero, de tudo o que é hediondo na vida. Por mais de uma vez ela desejou a morte, rezou a Deus para que a levasse desta vida de sofrimento e morte. Mas Halima é uma mulher da tribo Zaghawa, povo feroz e beligerante, para quem a morte é “mil vezes preferível à desonra e à vergonha”; é nessa força interior que podemos encontrar a explicação para o seu percurso de vida. Percurso esse que não acabou, mas que continua na sua determinação de fazer vencer a honra, a dignidade, a justiça; o que de mais nobre existe no mundo.

Por isso, tendo conseguido,  em Maio de 2008, o estatuto de refugiada no Reino Unido, vai reavivando a vontade de viver para dizer ao mundo o que viu e sobretudo o que viveu e o que continua a fazer parte da sua vida: que os campos juncados de mortos, as violações, as aldeias incendiadas, a chacina continuam perante um mundo que parece cego e surdo perante tamanha tragédia; um mundo que parece ter perdido a vergonha perante a hediondez e fica calado; um mundo que parece indiferente perante os 400.000 mortos e 2,5 milhões de refugiados desde o início do conflito no Darfur.

Este livro é um grito; há que escutá-lo e dele fazer eco. Defender a humanidade é defender-se a si mesmo.

Valentim Gonçalves (CJP-CIRP)