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O Desenvolvimento tem a ver conosco Versão para impressão
Domingo, 26 Abril 2009 00:00

2009-04-26_DesenvolvimentoA segunda edição de “Os Dias do Desenvolvimento”, promovida pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, tem lugar nos próximos dias 28 e 29 de Abril, nas instalações da FIL. Diversas organizações ligadas ao mundo religioso participam no evento. Enquadra-se na promoção dos ODM (Objectivos do Milénio), aprovados na Declaração do Milénio, adoptada no ano 2000 por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas. O dealbar de um novo milénio, com todo o simbolismo que o acompanhava, lançou a Humanidade num processo de cooperação global para uma maior felicidade de todos. Desenvolvimento tornou-se a palavra que exprime esse sonho e o caminho a percorrer para o concretizar.

Viver no mundo

É essa a carruagem de quem vive  neste mundo que é o nosso; de quem ainda é suficientemente jovem para sonhar e adulto bastante para se comprometer. Não é um termo novo; é ainda pouco familiar à consciência do nosso povo. Talvez se viva demasiado preocupado com outros pensamentos, sendo certo que ainda pior é não pensar. Felizmente, porém, nos questionamentos feitos à consciência de cada um, como nos últimos dias figurava numa folha paroquial com vista ao sacramento da reconciliação, já começam a figurar questões como o uso racional dos electrodomésticos, das lâmpadas de baixo consumo, dum certo tipo de condução automóvel, do consumismo irreflectido e irresponsável; em suma, a avaliação da atitude do crente perante este mundo que é a casa proporcionada pelo Criador. É sobre esta temática que está centrado o evento com o título “Por um Mundo Sustentável – Desenvolvimento e Recursos”.

Aqui e lá

É dentro dessa lógica que se inserem as campanhas de sensibilização e de pressão promovidas em muitos países e também entre nós. Recordam-se algumas, como a do perdão da dívida externa , pelos indígenas da Raposa Serra do Sol, por Darfur, a Marcha contra a Fome. É dentro da mesma que se chama a atenção para a não identificação de progresso com desenvolvimento, também aqui onde, apesar do enorme progresso nas auto-estradas, na proliferação de grandes superfícies comerciais, no aumento do parque habitacional, o país não se tornou mais equilibrado, mais justo e limpo das manchas de subdesenvolvimento; apesar da quantidade de fundos injectados no país, o nível da educação ou dos cuidados de saúde não subiu como se esperava.

Sonho e responsabilidade

Mas é o mundo todo que também depende de nós. Na fotografia da Declaração do Milénio todos ficaram bem; decorridos nove anos concluímos que já não estão tão simpáticos. Os compromissos não têm sido assumidos. Apesar das promessas de aumento da Ajuda Pública ao Desenvolvimento, essa mantém-se ao mesmo nível de 1993, isto é nos 0,3 % do Rendimento Nacional Bruto, ainda longe dos 0,7 % prometidos. E, apesar de em 2008 essa ter aumentado em 10 % relativamente ao ano anterior, a ajuda a África aumentou apenas em 0,4 %. É oportuno lembrar o apelo do Papa, na sua recente visita a Angola, pedindo aos homens e mulheres do mundo inteiro que voltem o seu olhar para a África, grande continente “tão sedento de justiça, de paz e desenvolvimento”. E, referindo-se à guerra, ao tribalismo e rivalidades étnicas, à avidez, à corrupção, ao insidioso espírito de egoísmo, ele tocou na ferida que impede saciar tal sede. Foi corajoso ao fazê-lo na presença do Presidente angolano. Mais do que perder-se num estafado debate ideológico à volta de uma questão periférica, como aconteceu com alguma comunicação social, há que apostar no desenvolvimento, expressão de uma atenção prioritária à pessoa, promovendo a liberdade e a igualdade de oportunidades, a justiça e a participação de todos no uso dos bens da terra, efectivando o acesso à educação e à saúde, abrindo os espíritos à cooperação e à solidariedade global.

P. Valentim Gonçalves (Comissão Justiça e Paz CIRP)
Publicado no VV – 26/4/2009