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Os ODM na Agenda da Igreja Versão para impressão
Domingo, 31 Outubro 2010 18:31

Entre o fracasso e a esperança

ODMA quase totalidade das crianças da Tanzânia já pode frequentar a escola primária graças ao compromisso das autoridades com a escolaridade obrigatória até aos 13 anos e que foi possível com a abolição das propinas. Aquele país da Africa subsariana está assim bem posicionado para alcançar o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM) número 2 que visa garantir a todas as crianças o ensino básico.

O desenvolvimento dos países mais pobres esteve em foco recentemente por ocasião da cimeira dos ODM realizada na sede das Nações Unidas. A reunião congregou governantes do mundo inteiro com o intuito de avaliar os progressos na erradicação da pobreza extrema e da fome, o primeiro dos 8 ODM. Passados 10 anos, desde que os líderes das nações assumiram esses objectivos como compromissos nacionais a realizar até ao ano 2015, há um sentimento generalizado de falhanço na realização dos Objectivos dentro do prazo previsto.

As razões para o fracasso devem-se à diminuição da ajuda ao desenvolvimento por parte dos países ricos que, a pretexto da crise financeira mundial têm vindo a cortar a sua assistência aos países mais pobres. Portugal, Alemanha, França, Itália, e outros países, não estão a cumprir a meta de 0,50% de ajuda do seu Rendimento Nacional Bruto.

Na sua intervenção na cimeira da ONU, o cardeal Turkson, em nome da Santa Sé, denunciou os obstáculos ao desenvolvimento: "conduta incorrecta e irresponsabilidade da maior parte dos agentes financeiros", "nacionalismo excessivo e interesses corporativos", "velhas e novas ideologias", "guerras e conflitos", "tráfico ilegal de pessoas, drogas e matérias primas relacionadas com situações de guerra e pobreza extrema e a falta de escrúpulos de alguns agentes económicos e sociais das regiões mais desenvolvidas".

Apesar do pessimismo em relação ao cumprimento dos ODM, há a registar progressos notáveis em alguns países. Entre os sucessos, destacam-se as campanhas de vacinação contra o sarampo em África que cobriram 80% do território do continente. Ainda em terras africanas, fez-se a distribuição em larga escala de redes mosquiteiras tratadas com insecticidas o que contribuiu significativamente para a diminuição de mortes por malária. Também se assinalaram avanços na educação com alguns países a conseguir uma taxa de frequência escolar de quase 100% de crianças.

Esforço redobrado

A comunidade internacional terá que fazer um esforço suplementar para reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna e combater a sida e outras doenças, que são alguns dos ODM. Um passo importante nesse sentido foi dado por governos, fundações, grupos privados e organizações internacionais que se comprometeram a contribuir com 30 mil milhões de euros para reduzir a mortalidade infantil e melhorar a saúde materna, os objectivos em que se registaram menos avanços. Com esta verba as Nações Unidas esperam evitar a morte de mais de 16 milhões de crianças e mulheres grávidas.

A Igreja sempre se considerou parte deste processo porque ela própria está directamente envolvida na melhoria das condições de vida das populações mais pobres e do seu desenvolvimento. Um desenvolvimento que não é só material, mas também, humano, como sublinha Bento XVI na sua ultima encíclica "Caridade na Verdade". Neste documento o Papa apela para um "desenvolvimento humano integral", que tome em consideração a pessoa no seu todo. Para o Pontífice, "as causas de subdesenvolvimento não são em primeiro lugar de ordem material" porque há recursos suficientes no planeta para, por exemplo, acabar com a fome. Há necessidade de um novo "humanismo" que ponha a pessoa no centro das preocupações do desenvolvimento.

Pe. António Carlos Ferreira, comboniano, membro da CJP-CIRP
(publicado na VV - 24.10.2010)