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Desmond Tutu Versão para impressão
Quarta, 27 Junho 2012 21:35

desmond-tutu-fotUma visita importante

Durante a visita de Desmond Tutu a Lisboa tivemos a oportunidade de ver um dos rostos mais conhecidos na luta pelos direitos humanos ao lado do Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Dr. Jorge Sampaio, num debate sobre os desafios e os esforços para transformar o mundo em que vivemos num lugar mais justo e pacífico.

E mais do que isso: tivemos a oportunidade de escutar alguém que nos ajuda a ver o mundo com um outro olhar, diferente daquele que nos molda a figura dum mundo individualista e materialista, tão caraterístico neste hemisfério mais desenvolvido; o ter mais conduz à necessidade de produzir mais, ainda que sem qualquer sentido ou sem ter em conta as reais necessidades das pessoas nem o respeito pela natureza.

Faz-nos bem ver e escutar alguém que fala não de encomenda, mas expressando o que vive, num processo moldado no calor da guerra contra o apartheid e em favor da liberdade e da dignidade. Faz-nos bem que, no meio da loucura do stress provocado pela competição, pelo resultado, alguém nos lembre que o fundamental para a felicidade é a pessoa na sua dignidade e todas as pessoas na sua igual dignidade e bondade. É essa a razão profunda que nos ajuda a entender pessoas como Nelson Mandela ou Desmond Tutu. Essa razão pode ser expressada na palavra "Ubuntu", que manifesta a essência do ser humano: uma pessoa com ubuntu é aberta e disponível para os outros, é uma afirmação dos outros, não se sentindo ameaçada por causa de os outros serem capazes e bons, apoiada numa auto segurança quem vem do conhecimento de que ele ou ela pertencem a um todo maior e que ficam diminuídos quando outros são humilhados ou discriminados, quando são torturados ou oprimidos.

Numa sociedade em que "o homem é um lobo para o homem", em que há que competir para que ninguém nos passe à frente, em que o valor da pessoa está no sucesso, em que o individualismo egoísta entrincheira a mesma numa desconfiança contínua, é bom ouvir dizer que "eu só posso ser uma pessoa através das outras pessoas".

Ele nos ajudou a entender que "a filosofia africana do Ubuntu pode ser descrita como a capacidade de expressar compaixão, reciprocidade, dignidade e empenho na construção e manutenção de uma comunidade de justiça e atenção recíproca". Nessa linha questionou: "Imaginem, se realmente acreditamos nisto, se investiríamos tanto em instrumentos de morte e defesa como fizemos até agora , quando o comparamos com a pequena parte canalizada para proporcionar água limpa e comida suficiente às crianças do mundo".

Tutu0001Tutu0002Veio dizer-nos que somos todos humanos, que fazemos parte da mesma família; e, a propósito (com uma das suas caraterísticas gargalhadas) afirmou: "Lamento informar-vos, mas somos todos africanos". Acrescentou que "os seres humanos são originalmente bons", ele que conhece bem até que ponto essa bondade tem sido traída: no apartheid que combateu, no genocídio do Ruanda, no insustentável conflito da Faixa de Gaza, na Europa do Holocausto, nas barbaridades da guerra dos Balcãs, sem esquecer "a crueldade descarregada na intimidade das nossas casas"; aí refere-se especialmente à experiência da sua filha Mpho Tutu, que trabalhou com vítimas da violência e que com ele escreveu o livro "Feitos para a Bondade", que muitas pessoas aproveitaram para adquirir no momento da conferência.

Quando se insiste tanto no sucesso, na maneira de convencer os outros para adquirir coisas, na forma de subir na vida, tantas vezes à custa da justiça e da amizade, quando até os governantes se submetem às exigências dos poderosos, ainda que eles espezinhem comunidades inteiras, é bom que alguém nos lembre que é preciso ensinar a ser bom. É bom e necessário começar pelo princípio para se poder chegar ao fim que nos foi proposto: ser felizes uns com os outros.