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Onde está o teu irmão ? Versão para impressão
Quinta, 01 Março 2012 23:52

solid.2Solidários

Já nas primeiras páginas da Bíblia somos confrontados com a interpelação que nos faz olhar para a nossa condição de seres solidários. A mensagem da narrativa de Caim e Abel é continuada ao longo das suas páginas e confirmada nas palavras de Jesus .  Aquele "onde está o teu irmão ?" conduz-nos à avaliação feita na hora da verdade quando fica claro que "tudo o que fizestes ao mais pequeninos... foi a Mim que o fizestes".

Nesta linha se entende a mensagem do Papa para a Quaresma:  "Prestemos atenção uns aos outros". Nela se integra a solicitude da Igreja portuguesa ao contemplar a difícil situação social e ao fazer um apelo  à incrementação dos serviços que possam coordenar e animar a ação social em todas as comunidades.

A situação a que chegámos
Uma coisa é falar do problema dos outros; bem diferente se torna quando ele nos bate à porta. Quando nos anos noventa se fez a tentativa de sensibilizar as pessoas para a chamada "dívida externa dos países pobres"  a reação por parte de muita gente foi de estranheza perante o "exótico" ou então considerada como ingenuidade. Hoje vemos que o drama provocado pelo desemprego tem traços semelhantes. Pois a razão de fundo permanece: a primazia do lucro e a secundarização da pessoa; esta não passa de uma peça da máquina, que é utilizada enquanto é útil e lançada a seguir ao lixo. Quando o modelo económico se conduz por critérios exclusivamente técnicos, para produzir mais, consumir mais e lucrar mais, sem qualquer referência ética, só pode desembocar num reino vampiresco que provoca a devastação geral, desde a morte inaceitável de crianças e a vida curta e sem qualidade de imensas multidões  até à degradação do planeta que nos foi dado como casa comum. Neste reino os políticos, que se presume representarem o povo, pouco mais podem fazer do que serem figurantes numa tragicomédia conduzida pelo mundo da finança que se arroga o direito de governar o planeta e anseia tornar-nos "cúmplices infantilizados desta pornografia financeira", como escreve o autor do livro "Falidos".

O caminho a percorrer
solidariedade1Ancorados na esperança, há que confiar na capacidade de nos regenerarmos como pessoas e como povo. Primeiro há que mudar a mentalidade. Depois  descobrir que a felicidade se constrói e se mantém não com muitas coisas, mas antes com o aproveitamento daquilo que temos. Seguidamente restabelecer a rede vital que é dimensão solidária da pessoa humana para evitar o perigo do  desânimo ou do desespero. E continuar a aprender com Jesus que, mais do que realizar milagres de "multiplicação dos pães" manifestou a força e a beleza do milagre da "partilha dos pães".
Com tal pano de fundo entendemos a mensagem do Papa para este tempo de conversão (que significa mudar de visão, de paradigma) e que apela a "prestar atenção ao outro". A liturgia dos últimos dias nos lembrava o ensinamento do apóstolo Tiago segundo o qual "a religião pura e sem mancha consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo". Este mundo quer significar aquele que nega Deus e a sua obra, a começar pelo seres "criados à sua imagem e semelhança"; aquele que "adora" não a fonte pela qual a pessoa anseia "como terra árida", mas sim o "bezerro de ouro" por si criado e no qual deposita a confiança.
E porque o apóstolo nos relembrou que "a fé sem obras está completamente morta", há que assumir a responsabilidade na luta pela superação das dificuldades, seja a nível individual, seja a nível comunitário. Nessa linha há que ter em conta as orientações que nos chegam através da Comissão Episcopal de Pastoral Social para que se incrementem, examinem e revejam os modelos de resposta às dificuldades de forma que em todas as comunidades cristãs exista  o Serviço Paroquial de Ação Social. Não basta querer fazer o bem; é preciso saber como o fazer. A propósito, para uma reflexão mais profunda, podemos aproveitar o documento do Grupo Economia e Sociedade da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre o "Acordo de Concertação  Social 2012" (areiadosdias.blogspot.com).

P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
(publicado no jornal VV, 26.02.2012)