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Entre o pânico e a paz (II) Versão para impressão
Quarta, 14 Abril 2010 11:56

Só a confiança constrói

20100414_Istiqlal_Mosque"O medo não é bom conselheiro" - dizia há dez anos o Presidente da Comissão Episcopal das Migrações em França quando, no calor do cerco aos imigrantes, mostrava aos seus irmãos na fé que não podiam deixar-se levar na corrente xenófoba que ameaçava o país. E que o medo não podia ser o seu conselheiro.

Diante do alarmismo sobre uma eventual "conquista" da Europa pelo Islão que encontramos entre alguns irmãos na fé, sejam quais forem os argumentos invocados, só temos um caminho a seguir: a Palavra de Deus. Essa ajuda a ter um olhar diferente sobre a realidade e consequentemente motiva a pessoa a agir em conformidade.

E não há melhor remédio para certos males do que abrir os olhos à realidade. No seguimento da primeira abordagem deste tema vimos apresentar um outro exemplo de boas práticas na convivência entre pessoas e grupos com diferentes crenças e religiões. Hoje vamos olhar para a Indonésia, o país do mundo com o maior número de muçulmanos, sendo esses mais de 80% da população e os cristãos à volta de 10 %. Transcrevemos uma nota do Visitador Geral dos Missionários do Verbo Divino a uma das quatro Províncias que a Congregação lá tem:

O diálogo na solidariedade, no respeito e no amor

Durante a minha visita geral à Indonésia-Ende, um dos ministérios que mais me fascinou foi aquele levado a cabo numa escola islâmica e no "Pesantren" (escola-internato) para estudantes muçulmanos desfavorecidos de Ende. É uma escola tradicional onde os meninos e as meninas estão rigorosamente separados nas aulas. É um projecto dos nossos seminaristas de Ledalero que faz parte do seu ano pastoral.

20100414_indon-islamO fundador deste Pesantren é Kiai Mohmud Eka, que foi companheiro de escola do antigo superior provincial de Ende, o já falecido P. Nico Hayon. Os nossos seminaristas dão aulas na escola e normalmente vivem com os estudantes e partilham do mesmo alimento com eles. Actualmente o estudante Norberto Paga presta os seus serviços ali. Este gesto de estender a mão aos muçulmanos criou muito boa vontade entre católicos e muçulmanos do lugar. Kiai Mohmud com alguns membros da sua família e estudantes assiste às celebrações principais da SVD na casa provincial e na cerimónia de votos perpétuos dos seminaristas de Ledalero. Os seminaristas valorizam as suas experiências no albergue e continuam mantendo contacto com os seus companheiros (companheiras) depois de terem completado a missão ali. Para a inauguração do Colégio Islâmico há uns anos, Kiai Mohmud escolheu o Pe. Philip Tule para fazer o discurso programático. Muitos dos nossos confrades também dão aulas nesse colégio.

A Indonésia nos deu um exemplo do tal diálogo pela sua solidariedade, respeito e amor para com um grupo dos nossos companheiros de diálogo: a gente de Alá.

O Bispo que vê o diálogo como indispensável

20100414_bispo_Hoa0001É difícil imaginar uma diocese que abarca uma superfície de 30.442 quilómetros quadrados (um terço da superfície de Portugal), com cerca de 1.000 ilhas, com 2 milhões de pessoas e um número de católicos de cerca de 45.000. Esta é a diocese de Pangkalpinang, Sumatra, na Indonésia, criada em 1961 e cujo actual bispo é D. Hilárius Moa Nurak, missionário do Verbo Divino e que ocupa este cargo desde 1987. Há 14 paróquias da diocese e mais uma dirigida por três verbitas. Há ainda um centro bíblico dirigido pelos mesmos.

São dois milhões de pessoas e apenas um punhado de católicos, sendo a maioria da população muçulmana. As posições-chave e os serviços do governo estão nas mãos dos muçulmanos. Não nos surpreende saber quão importante considera o bispo Moa manter boas relações com a comunidade muçulmana. "Aproveitamos todas as possibilidades e situações em que possamos encontrar maneira de nos relacionarmos e estabelecer o diálogo", diz ele. Este diálogo inter-religiosos com as autoridades da comunidade muçulmana e as relações pessoais e amistosas do bispo Moa com os lideres muçulmanos chega ao ponto de se fazerem convites mútuos das paróquias e das comunidades muçulmanas para reuniões. Convidar a um muçulmano para vir a uma comunidade católica falar da sua religião, seus costumes e tradições não é nada fora do comum. Também para uma comunidade católica receber um convite para explicar por que veneram aos santos e acendem velas diante das imagens é tido como uma oportunidade para o diálogo. Diz o bispo: "Se há alguma coisa que temos que evitar para não atrapalhar as boas relações entre os muçulmanos e os católicos é não rebater os costumes e as tradições da pessoa". Igualmente não surpreende assumir a importância que tem para ambas as comunidades o conhecerem-se mutuamente.

20100414_indonesia-mapa

O programa diocesano para criar e fortalecer comunidades cristãs de base também está orientado para a abertura a outras religiões, especificamente à muçulmana. As comunidades cristãs de base têm como objectivo formar os pais e seus filhos não só através da catequese, do conhecimento da Igreja e sua doutrina, mas também conduzir à aceitação e abertura sem preconceitos a outras religiões. Diz D. Moa: "É um privilégio para os meninos de tenra idade aprender e saber de seus pais como é importante relacionar-se bem com a comunidade muçulmana, uma vez que os ditos conhecimentos serão úteis para o resto das suas vidas".